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quarta, 06 novembro 2013 23:46

Concentração, Concentração e Concentração!

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A concentração está sempre pronta para ser o bode expiatório quando as coisas correm mal. Será que a culpa é sempre dela? E se for, como fazemos?


"TO FOCUS OR NOT TO FOCUS..."

Em todas as modalidades desportivas com que trabalhei houve sempre alguém a queixar-se da falta de concentração e como isso afetou a sua performance. A queixa é muito semelhante, mas o curioso é constatar as variadas formas que o fenómeno assume:
Ora são equipas que simplesmente carecem de ativação e um foco partilhado, ora são indivíduos que julgam ser possível estar focado em detalhes durante longuíssimos períodos de tempo, ora são questões fisiológicas que estão a ser negligenciadas, ou até a luta intensa com aquelas distrações que teimam em se intrometer.


O discurso apresentado pelos intervenientes do desporto está longe de reflectir um diagnóstico preciso, nem sempre o nos dizem se refere à capacidade individual de concentração. O trabalho com o psicólogo faz a diferença. Apesar de estarmos a falar da necessidade de dirigir a nossa atenção para o que realmente interessa em determinado momento em todos os casos acima referidos, as diferentes formas que o fenómeno assume, refletem diferentes dimensões da concentração e implicam diferentes abordagens no treino desta competência.

Uma boa teoria ajuda sempre a dirigir uma boa prática. O modelo apresentado abaixo é um exemplo disso mesmo. Consoante as diferentes tarefas que temos a desempenhar, o foco da nossa atenção vai ser mais eficaz num determinado quadrante (ex: em modalidades colectivas o foco externo alargado é o indicado para um playmaker no momento da construção de jogadas – externo, atento ao seu redor, e alargado, atento a vários elementos). Em tarefas mais complexas interessa optimizar a transição de um quadrante para o outro.



As equipas, por definição implicam mais que um indivíduo na sua constituição. Então é mais frequente observar alguma falta de alinhamento no que diz respeito ao que cada elemento deve estar atento. Mesmo em equipas de alto rendimento, com processos estratégicos e tácticos bem definidos, quando as emoções do grupo começam a fugir do controle e as coisas aquecem, é habitual vermos cada elemento a colocar a sua ideia do que deve acontecer em campo em vez de partilharem o mesmo processo, previamente definido. Convém que o plano contemple ações para estes momentos em que as emoções se intensificam. Nestes casos trata-se de corrigir processos de equipa e não do treino de competências. Não faz sentido abordar competências individuais dos elementos da equipa, correndo o risco de personalizar o erro, sem que o processo esteja bem alinhado antes.

Quando estamos a lidar com processos individuais do atleta, faça ele parte de uma equipa ou atue numa modalidade individual, a abordagem tem outra prioridade. Antes de mais é necessário eliminar a ilusão de que é possível estar focado permanentemente.
Pode-se aprender a evitar distrações, a estar no aqui e agora, o que só por si já aumenta o poder de concentração e performance.
Não obstante, convém ter presente que a nossa atenção vai estar a alternar o foco continuamente e que o melhor a fazer é definir com precisão as pistas relevantes à tarefa, quando nos podemos distrair e o que fazer para voltar a focar a atenção.

Escolhermos o que pensamos é a melhor forma de evitar distrações, de conseguir provocar estados emocionais favoráveis ao momento e em ultima análise conseguir performances consistentes.




Por fim, deixo-vos algumas ilustrações que julgo serem úteis para compreender o exposto. Podem facilmente imaginar, que por exemplo para um jogador de Ténis evitar distrações, seja essencial estar no "aqui é agora" quando a bola está em jogo e aproveitar os momentos entre pontos para pensar (distrair-se) no que lhe interessa pensar.
Já para um jogador de Golf, as pausas são mais demoradas e os momentos de ação mais curtos. Tem mais tempo para pensar, duvidar e abalar a sua confiança, pelo que as rotinas que integrem o pensamento (preferencialmente na forma de imagem) são essenciais para re-focar.
Por outro lado, numa competição de Poker por norma bastante demorada e longa, com decisões que podem significar milhares de euros, o planeamento assume maior impacto. A ação é continuada, o jogador está sempre a analisar e a antecipar (diferente das modalidades mais físicas) e o fator sorte está presente e fora do seu controle. Há que ter presente o que depende de si, e ter planos de contingência para reagir às adversidades brutais e emoções fortes do jogo.

Seja qual for o seu caso, estamos cá para ajudá-lo!
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Carlos Fernandes

É Coach certificado.
Mestre em Psicologia pelo ISPA.
Pós-Graduado em Psicologia da Saúde pela PUC-Rio.