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segunda, 07 outubro 2013 18:03

Coerência, o primeiro passo da liderança.

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Se quiser tornar-se um bom líder, leve sempre uma boa dose de coerência consigo. É mais útil do que qualquer bússola.


Hoje já se escreveu tanto sobre liderança, tantos são os livros, modelos e os gurus, mas infelizmente é cada vez mais frequente observar a negligência relativamente a um aspeto essencial para qualquer acto de liderança. Refiro-me à coerência.
É escusado desenvolver outras competências fundamentais para liderar sem antes fazermos um esforço consciente por manter a nossa ação consistente e coerente.

Desde os líderes ancestrais em campos de batalha, às referências mundiais no desporto até aos carismáticos empresários da atualidade que a coerência do comportamento representa a autoridade moral do líder. O mesmo sucede quando os grupos se organizam por rígidas hierarquias em que uma ordem é para obedecer, sem discussão. Até nestes contextos, uma liderança coerente alinha expectativas e inspira esforços extra, enquanto que a falta de coerência mina por completo qualquer equipa. Não escolhi as palavras ao acaso, uma equipa volta frequentemente a tornar-se um grupo de pessoas que pouco partilham além de um objetivo, ou até nem isso...

Hoje já não existe mais espaço para o velho ditado "faz o que eu digo e não o que eu faço". Todos nós sabemos como nos sentimos quando alguém nos dirige este adágio. A sensação de descrédito invade-nos e resta a mesma vontade de um adolescente rebelde em cumprir com o que nos pedem. Se nos formos basear no senso comum, a liderança pelo exemplo é o caminho a tomar.

No entanto, manter o nosso comportamento coerente ao longo do tempo pode revelar-se uma tarefa mais difícil que o expectável, até para a pessoa mais bem intencionada e organizada. Acima de tudo começa com um esforço de coerência interna, com os nossos valores, e continua com muita comunicação e envolvimento das equipas que se lidera.
Sabemos que, ao liderar, desafiamos as pessoas a mudarem hábitos, posturas, atitudes, comportamentos, modos de pensar. Enfim, a modificar a forma de encarar o seu trabalho e por vezes até as suas vidas. Contudo, precisamos entender que a mudança começa dentro de cada um de nós. O líder, quando deseja mudar algo, deve começar a mudança em si.
Deve inspirar pelo exemplo, não apenas pelo discurso. Refiro-me a um conjunto de atitudes, posturas, de algo intangível, mas bastante diferenciador na competência do líder. Quando se detém um auto-conhecimento realista, da nossa personalidade, competências e dificuldades podemos fazer ajustes ao nosso comportamento que nós permitem obter melhores resultados. Esse conhecimento é informação sobre nós próprios, feedback que procuramos dos outros. A forma como o utilizamos refere-se à tão badalada inteligência emocional. No que diz respeito à interação com a nossa equipa, e o nosso comportamento com os seus elementos também podemos e devemos obter feedback sobre o que andamos a fazer. Neste caso um bom ajuste do nosso comportamento, respeitando a sua coerência, refere-se à nossa inteligência social.

Ao recorrer a processos de Coaching, os líderes criam um excelente mecanismo de feedback que os ajuda a manter consistência interna e externa, otimizando resultados e um sentimento de congruência que nos assegura que estamos no caminho certo. É extraordinariamente difícil criar este feedback sozinhos, quando o nosso foco e energia estão alocados às tarefas em si, aos resultados e não à forma como fazemos acontecer (processo).  Um olhar externo e treinado providência informação significante. Por vezes o feedback devolvido nestes processos é duro, mas ao mesmo tempo que nos deixa mais humildes tonifica o nosso sentimento de competência.




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Carlos Fernandes

É Coach certificado.
Mestre em Psicologia pelo ISPA.
Pós-Graduado em Psicologia da Saúde pela PUC-Rio.

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